Ficções – Borges

21 Junho, 2009

Ele não está te enganando. Desde o começo já diz qual é o fundamento do livro todo. Boa parte dos livros, páginas, volumes, enciclopédia, escritores, militares, labirintos não existem.

Mas bem que poderiam. Essa é a conclusão que você tira quando acaba de ler cada conto de Ficções, do argentino Jorge Luis Borges.

Ele cria situações e conta de uma forma que te prende e te faz parar para pensar até o final do dia. Poucos foram os dias que eu quis ler mais de dois contos de uma só vez. O melhor é ler um, que em média não passam de 15 páginas, e saboreá-lo aos poucos, dando risadas e se pegando olhando para o nada, enquanto lembra, relembra e se questiona como tudo aquilo foi pensado.

Para quem não gosta de estórias curtas, preferindo romances longos, densos, reflexivos e dinâmicos, saibam que não perderão nada. Não subestime um conto, não o de Borges. Ele mesmo explica a escolha no prólogo do livro:

“Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma idéia cuja exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que estes livros já existem e apresentar um resumo, um comentário.”

Mesmo desse jeito, contando a história de forma “direta”, Borges consegue uma harmonia entre a exatidão, rapidez e sutileza. Considere um romance compactado. Ou uma poesia em prosa.Veja o primeiro parágrafo do conto “Exame da obra de Herbert Quain”:

“Herbert Quain morreu em Roscommon; comprovei sem espanto que o “Suplemento Literário” do Times apenas lhe concedeu meia coluna de piedade necrológica, na qual não há epíteto laudatório que não esteja corrigido (ou seriamente admoestado) por um advérbio.”

Outros contos situam-se entre meus favoritos: “Funes, o memorioso”, “Jardim de caminhos que se bifurcam” e “As ruínas circulares” estão entre eles. Mas todo o livro vale a pena.

Borges é necessário, é só o que posso dizer.


Sociologia do vinil (ou antropologia do bolachão)

9 Janeiro, 2009

Não entrarei nos méritos tecnológicos. Harmônicos pares, harmônicos ímpares, freqüências, qualidade sonora, high-fidelity e afins. Só digo algo sobre essas comparações, que é fato constatado por mim mesmo: já ouvi determinados álbuns em várias tecnologias – mp3, vinil, CD – e cada um tem sua característica.

Adendo para polêmica: nos álbuns ouvidos em vinil, ouço sons que não ouvi nas outras configurações. Como se fossem versões frescas e vivas. Fato.

Voltando à temática principal: O som do vinil vai além dos aspectos técnicos e sutis na absorção da música. A influência do bolachão perpassa outros campos. Há uma relação, convivência e intimidade com a música que não é reproduzida em outras mídias. Seja isso limitação ou não, o fato é que há uma especificidade quando ouvimos um som no disco de PVC.

Na era da tecnologia digital, onde o iPod, mp3 e todo o glossário do século XXI se faz necessário, a música é facilmente manipulável. É possível trocar as ordens das canções, passar para frente trechos desagradáveis, pular faixas indesejáveis, montar compilações inimagináveis e até edita-las através de qualquer critério.

É o caso das playlists, altamente difundidas e que são listas de músicas feitas por qualquer um. A mesma modernidade se aplica aos mash-ups, que é a “arte” de sincronizar duas ou mais canções para formar novos arquivos, novas tendências.

Exemplos:

Outkast + Queen

Snow Patrol + The Police

Contudo, sem desmerecer a criatividade e a independência que a modernidade nos traz, a relação que temos com a música quando a ouvimos no vinil é completamente diferente.

Podemos ouvir música deitados, sentados ou em pé. Porém, é quase certo que, ao ouvir as canções de um alto-falante, não estaremos perto da fonte sonora. Trocando em miúdos: ouvimos música longe dos tocadores de música. E isso inclui o vinil.

Sendo assim, os tocadores de discos não têm a mesma flexibilidade que as mídias digitais. É preciso um movimento cirúrgico para trocar de música, quanto mais para passar o trecho indesejado. Isso sem contar o movimento físico completamente desgastante (culpa da modernidade e do conforto) que é se deslocar até o toca-disco para erguer a agulha e coloca-la no local exato (exatidão essa baseada na intuição) que a música lhe é mais agradável.

Nos conformamos, portanto, a ouvirmos as músicas nos toca-discos de forma mais íntima. Numa analogia chula, mas que ilustra bem a relação ouvinte/disco: nem sempre reconhecemos nosso grande amor ou nosso melhor amigo no momento que os cumprimentamos. Muitas vezes é preciso estabelecer uma relação, construir experiências que, num futuro, teremos uma afetividade concretizada e conscientemente produtiva.

O mesmo ocorre com a música. Nem sempre uma música lhe chama a atenção no primeiro contato. Às vezes é preciso conviver com ela até que tudo se encaixe, até que a letra, melodia e harmonia (NÃO DISSE HARMÔNICOS!!) lhe dêem prazer.

Ou seja, ouvir uma canção no vinil é conviver com a música de forma madura. Não iremos ignorá-la na primeira audição, já que o esforço (físico pela locomoção e mental pela atividade cirúrgica) que é trocar de música ou passar um trecho para frente é muito menos compensatório do que deixar a música dizer o que é que ela veio dizer. E, muitas vezes, é nessa exata hora que encontramos nossas preferências. É no momento de um quase “conformismo” sonoro, quando nos deixamos ouvir o quê a música tem a dizer que a compreendemos e tornamo-nos apreciadores dessas canções.

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Como faixa-bônus (cultura possivelmente pós-vinil), um documentário sobre o bolachão, feito em Goiânia.

RESISTÊNCIA DO VINIL

Parte 1

Parte 2


Devaneios eruditos

30 Dezembro, 2008

Espero compensar minha ausência com algumas sugestões de música erudita. Eis um humilde TOP 5! Não coloquei nenhum Glenn Gould porque ele já teve seu espaço anteriormente.

1 – Mozart – Sinfonia nº 25

Condutor: Karl Bohm

2 – Elgar – Concerto para Cello em E menor (opus 85)

Condutor: Daniel Barenboim
Cello: Jacqueline Du Pré

3 – Mozart – Concerto para Piano nº20

Piano/Condutor: Mitsuko Uchida

4 – Bach – Suíte para Cello nº1

Cello: Yo-Yo Ma

5 – Bach – Ária na 4ª corda

Violino: Sarah Chang


Dossiê: Tom Zé atropicalizado/Oficialescos

5 Dezembro, 2008

Quem assistiu ao documentário do Tom Zé (Fabricando Tom Zé) provavelmente percebeu uma rusga mal resolvida entre os tropicalistas oficialescos (ou “CaetaneGil”) e a figura amalucada, anacrônica e marginalizada de Tom Zé. Nada foi esclarecido, mas ficou claro que existem coisas mal explicadas na Tropicália de antes e depois do exílio da dupla.

Compartilho aqui as informações que enviei para Tarsilla, minha parceira de discussões Tomzenianas e tantos outros tópicos que convidamos para nossas próprias sabatinas.

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Tarsi!!!!

Acho que cada vez mais o Tom Zé está se sentindo mais confiante para dizer o quê realmente quer sobre seus anos de stand-by na cultura brasileira. Segue abaixo alguns textos, quase em forma de um pré-dossiê.

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19/11/2008 – BLOG DO CAETANO

TOM ZÉ

Ouvi o disco de Tom Zé. Muito legal. Muito ele mesmo. Quando li que se chamava “estudando a bossa”, ri, gostei do tom de trilogia com os outros dois “estudandos”, e fiquei curiosíssimo para ver como é que ele ia tratar musicalmente o assunto. Diferentemente de mim, de Gil, de Gal e da torcida do Bahia, Tom Zé nunca foi um bossanovista. Comentado o “Estudando o samba” com David Byrne em Nova Iorque, logo que saiu a primeira coletânea de Tom Zé que ele fez, eu disse: “Muito da força desse disco vem de Tom Zé não ser da área do samba: ele não é do Recôncavo, tem sotaque do sertão, não é meio carioca como o povo de Salvador”. Claro que a força maior vinha do espírito experimental de Tom Zé e de suas escolhas no universo da música erudita contemporânea. Mas a distância, o estranhamento que sua origem propiciava contribuía muito para o experimentalismo e as escolhas. Agora, com a bossa nova, o que é que ele faria? Alegra-me muito que, ao fim e ao cabo, isso tenha algo a ver com nosso transamba aqui, nosso trabalhoso progresso. Pelo avesso. Mas tem. É um comentário de comentários sobre os ritmos do samba, as levadas, as batidas – e é o Rio. O Rio como tema permanente. Adorei ouvir Mariana Aydar dizendo “masturbar” com os erres superpaulistanos (não confundir com os retroflexos, que são meus e de Heloísa e de mais ninguém). E a afinação e musicalidade de Mônica Salmaso me impressionou de novo como tinha me impressionado quando cantamos juntos em Parati, com o Uakti. No disco com as músicas de Chico ela não me pareceu à altura sublime do que percebi naquela noite. Mas Zélia Duncan, Fabiana Cozza, todas. E David Byrne – na faixa que, à primeira audição me pareceu a melhor do disco – está divino. Os contrapontos engraçados, os contrapontos inventivos, os contrapontos sofridos, tudo no disco é Tom Zé puro. A explicitude nas várias recontagens da história também.

21/11/2008 – BLOG DO TOM ZÉ

NÃO, CAETANO.

Não, Caetano (foi parar no orkut um comentário do blog de Caetano Veloso sobre o disco “Estudando a Bossa”.)
Não, Caetano.
Não posso aceitar. Agora estou irremediavelmente desertado e não posso mais voltar para o colo do grupo baiano. Você sabe que seus braços são preciosos e irresistíveis, mas não posso ir comemorar neles este disco, nem com você.
Escolho, também por dever, privilegiar aqueles que me deram proteção e alento durante todos estes anos; quero estar com Elifas Andreato, que não tem metade do seu prestígio mas foi um porto protetor, e fez tudo por mim durante uma longa noite de solidão; tenho de procurar Alberto Villas, jornalista que me acudiu, tenho de ir ao abraço de Arthur Nestrovski, que lançou meu “Tropicalista Lenta Luta” na Publifolha.
De João Araújo, pai de Cazuza, que chegou a me mandar dinheiro escondido naqueles tempos.
De Cesare Benvenutti, que tomou de assalto o estúdio de Miguel Maimoni, do “Três do Rio”, para gravar o “Nave Maria” durante a madrugada no horário disponível.
Lauro Léllis, Milton Belmudes e Charles Furlan – quem são eles? Não são nada diante de sua grandeza e influência, mas de 1982 a 84 ficavam comigo durante a madrugada no mesmo estúdio, resolvendo as encrencas daquela Nave, enquanto Cesare adormecia, debruçado na mesa de som, esperando que estivéssemos prontos para gravar cada idéia do disco. Tenho obrigação de comemorar com eles qualquer resultado mais positivo nesta vida.
Sinval Itacarambi, da revista “Imprensa”, viu o show “Jimi Renda-se” no Sesc Consolação. Admirou o espetáculo e se juntou a Fred Rossi, tentando inventar um jeito de me salvar. Sinval tomou como encargo me arranjar um patrocinador e fez o representante dos licores Bols ser submetido a uma audição das músicas que eu fazia, na casa deste… Nossa! Deve ter sido necessário um pai-de-santo para tirar o assombro que eu podia ver na face do posudo rapaz vendo o prestígio de seus licores ameaçado pela barbárie imbebível que eu praticava.
Essas pessoas se arriscaram e agora quero, pelo menos, comemorar com elas. O falecido Walter Durst me impôs ao indignado Avancini para que eu fosse assistente de baianidade da mini-série “Rabo de Saia”. A indignação de Avancini era tão evidente que parecia ameaçar até o emprego de Durst na Globo.
Sônia Robato me deu para compor três histórias infantis da Editora Abril — “O Macaco Malaquias” e outras.
Cada trabalho desses significava vários meses de supermercado, pois em casa, o trabalho de Neusa no Sesi muitas vezes era o que se tinha e estávamos conversados. (Estas parecem certas narrativas sobre os miseráveis de Charles Dickens. E são.)
Por falar em Neusa, do que ela agüentou com fairplay e bom humor não se pode fazer a conta.
Salomão Gorenvaitz e Jaime Cerebrenik inventavam me fazer cantar nos casamentos das filhas. Valdemar Szaniecki me aconselhou a cantar música caipira. Como eu vacilasse, ele apresentou idéia mais ousada e me deu uma longa explicação de como eu, usando um turbante branco com uma pedra no centro, sentado numa alva mesa, com alguns outros utensílios de adivinhação, — como eu poderia, enfim, ganhar a vida com mais facilidade e parar de lhe tomar dinheiro emprestado.
Por causa desses e de outros tantos que aqui esqueço, eu não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste País analfabeto.

Tom Zé

26/11/2008 – COLUNA DA MÔNICA BERGAMO

AGRADECIMENTO
“Caetaaaanooo, vai tomar no c*”, disse Tom Zé no domingo, 23, diante da platéia que lotou o show que fez no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O músico anda falando mal de Caetano Veloso até em seu blog depois que ele o elogiou por causa do recém-lançado CD “Estudando a Bossa – Nordeste Plaza”.

*

“Não, Caetano (…) eu não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste país analfabeto.”

RÉPLICA
Caetano respondeu ao cantor Tom Zé: “Eu não sou o grupo baiano. Eu sou eu. E você não precisa recusar um abraço meu para ser grato a quem o ajudou. Nos abraçamos muito nesses últimos anos. E quando o show do “Cê” pintou você escreveu sobre ele. Agora escrevi sobre seu disco porque toco esse blog de feitura do meu e nele escrevo sobre tudo. Por que me proibiria de escrever sobre você? Tá maluco? Eu gosto de você. Não precisamos desses surtos de ressentimento”.

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Viste?? VISTE?? PERCEBESTE???? OLHASTE????????

Vixi…!

É isso!!!

Beijos mais Irará que Salvador!


O Tomzeio da blogosfera…

5 Dezembro, 2008

Este post será rápido, porém muito “conteudesco”. Lembrem-se: Periodicamente, passem para uma visita no blog do Tom Zé. Multi-instrumentista (e isso vai de piano a enceradeira, passando por violão e jornal), poeta, escritor, agitador cultural, jardineiro (ele recebe dois salários mínimos para comandar a paisagem bucólica do prédio paulista onde mora), um senhorzinho que tem um carisma tão gigante quanto sua inteligência e usa o dialogismo em toda sua plenitude!

http://tomze.blog.uol.com.br/

A última do Tão Zé é que os visitantes façam sugestões de um livro para que ele leia e comente através do blog suas impressões no decorrer da leitura. Vale a pena, viu…


Viagens eruditas

27 Novembro, 2008

Passei uma temporada no mundo da música erudita. Achei muita coisa interessante, muito mais as coisas que ainda não entendo – mas espero entender algum dia – e várias outras vertentes que mal conheci e que aguardo o tempo para conhece-las.

Dentre as coisas que me chamaram a atenção, está o período Barroco. Apeguei-me muito na obra de Johann Sebastian Bach. E não é à toa: a sua morte, em 1750, é considerada como o marco final do período Barroco na música. Daí já temos uma noção da importância deste alemão.

Bach foi um protestante engajado. Trabalhava dentro das igrejas compondo músicas para serem tocadas nas cerimônias religiosas. Tem, como exemplo, as Cantatas, que são cantos baseados na história de Jesus e do cristianismo.

Contudo, uma parte da obra do compositor eram de músicas profanas – que não fazem alusão a elementos sacros – e nessa vertente ele também foi praticamente imbatível. Virtuose no órgão, Bach criou vários estudos e músicas que tinham como objetivo dissecar todo o potencial que a música tem.

A quem diga que a importância de Bach na história da música vai além do período em que ele viveu. O maestro alemão Hans von Büllow afirmou que “se todas as obras-primas da música desaparecessem e a nós só restasse ´O Cravo bem Temperado´, poderíamos reconstruir, com base nele, toda a literatura musical perdida”.

Esta obra, especificamente, tem o objetivo de destrinchar praticamente todas as possibilidades da música. A obra consiste em músicas em todos os tons possíveis – Dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, ré maior e assim por diante.

Existem vários estudiosos de Bach, é o caso do alemão Karl Richter; o brasileiro João Carlos Martins; e, um dos meus prediletos, Glenn Gould.

Segue abaixo um vídeo de Glenn Gould interpretando o “Prelúdio e Fuga em A”, do livro 2 do “Cravo bem temperado”.

Glenn Gould, que aprendeu a ler partitura antes mesmo de ser alfabetizado, ficou famoso em 1955, quando lançou uma interpretação diferente de uma das obras de Bach, a “Variação Goldberg”.

Gould tinha como objetivo tirar a influência do período Romântico das interpretações que se faziam de Bach, nascido dois períodos antes. Para isso, deixou sua sonoridade mais imponente e precisa, com menos possibilidades “divagações sonoras”.

Abaixo, temos duas interpretações de Glenn Gould para uma mesma canção. A “Variação Goldberg” foi a única obra que foi gravada duas vezes pelo pianista. A primeira, em 1955 – que o deixou famoso – , e a segunda em 1981.

Além de ter uma forma única de interpretar as músicas, Glenn Gould também tinha uma maneira exclusiva nas suas performances. Excêntrico, o canadense usava sempre a mesma cadeira, que foi construída pelo seu pai, e era mais baixa que as cadeiras usadas por pianistas tradicionais, deixando-o mais debruçado no piano. Gould também tinha um movimento nas mãos que era único. E, talvez a característica mais excêntrica do músico, era cantar as melodias enquanto tocava.

Vejam um exemplo de sua cantoria, dessa vez ele num momento descontraído em sua casa de campo.

Para terminar, uma aula de virtuosismo por parte do interprete e de genialidade por parte do compositor.

Aguardem um Top 5 com Glenn Gould… Em breve!


Top 4 – Tom Waits

14 Maio, 2008

Segue um Top 4 com vídeos aleatórios e magníficos de Tom Waits!

Chocolate Jesus

I don’t go to church on Sunday
Don’t get on my knees to pray
Don’t memorize the books of the Bible
I got my own special way
Bit I know Jesus loves me
Maybe just a little bit more

I fall on my knees every Sunday
At Zerelda Lee’s candy store

Well it’s got to be a chocolate Jesus
Make me feel good inside
Got to be a chocolate Jesus
Keep me satisfied

Well I don’t want no Anna Zabba
Don’t want no Almond Joy
There ain’t nothing better
Suitable for this boy
Well it’s the only thing
That can pick me up
Better than a cup of gold
See only a chocolate Jesus
Can satisfy my soul

(Solo)
When the weather gets rough
And it’s whiskey in the shade
It’s best to wrap your savior
Up in cellophane
He flows like the big muddy
But that’s ok
Pour him over ice cream
For a nice parfait

Well it’s got to be a chocolate Jesus
Good enough for me
Got to be a chocolate Jesus
Good enough for me

Well it’s got to be a chocolate Jesus
Make me feel good inside
Got to be a chocolate Jesus
Keep me satisfied

Rain Dogs

Inside a broken clock
Splashing the wine
With all the Rain Dogs
Taxi, we’d rather walk.
Huddle a doorway with the Rain Dogs
For i am a Rain Dog, too.

Chorus

Oh, how we danced and we swallowed the night
For it was all ripe for dreamin
Oh, how we danced away
All of the lights
We’ve always been out of our minds.

The Rum pours strong and thin
Beat out the dustman
With the Rain Dogs
Aboard a shipwreck train
Give my umbrella to the Rain Dogs
For I am a Rain Dog, too.

Oh, how we danced with the
Rose of Tralee
Her long hair black as a raven
Oh, how we danced and you
Whispered to me
You’ll never be going back home,
You’ll never be going back home.

Chritmas Card From a Hooker in Minneapolis

hey Charley I’m pregnant
and living on 9-th street
right above a dirty bookstore
off cuclid avenue
and I stopped taking dope
and I quit drinking whiskey
and my old man plays the trombone
and works out at the track.

and he says that he loves me
even though its not his baby
and he says that he’ll raise him up
like he would his own son
and he gave me a ring
that was worn by his mother
and he takes me out dancin
every saturday nite.

and hey Charley I think about you
everytime I pass a fillin’ station
on account of all the grease
you used to wear in your hair
and I still have that record
of little anthony & the imperials
but someone stole my record player
how do you like that?

hey Charley I almost went crazy
after mario got busted
so I went back to omaha to
live with my folks
but everyone I used to know
was either dead or in prison
so I came back in minneapolis
this time I think I’m gonna stay.

hey Charley I think I’m happy
for the first time since my accident
and I wish I had all the money
that we used to spend on dope
I’d buy me a used car lot
and I wouldn’t sell any of em
I’d just drive a different car
every day dependin on how
I feel.

hey Charley
for chrissakes
do you want to know
the truth of it?
I don’t have a husband
he don’t play the trombone
and I need to borrow money
to pay this lawyer
and Charley, hey
I’ll be eligible for parole
come valentines day.

I don’t wanna grow up

When Im lyin in my bed at night
I dont wanna grow up
Nothin ever seems to turn out right
I dont wanna grow up
How do you move in a world of fog
Thats always changing things
Makes me wish that I could be a dog
When I see the price that you pay
I dont wanna grow up
I dont ever wanna be that way
I dont wanna grow up

Seems like folks turn into things
That theyd never want
The only thing to live for
Is today…
Im gonna put a hole in my tv set
I dont wanna grow up
Open up the medicine chest
And I dont wanna grow up
I dont wanna have to shout it out
I dont want my hair to fall out
I dont wanna be filled with doubt
I dont wanna be a good boy scout
I dont wanna have to learn to count
I dont wanna have the biggest amount
I dont wanna grow up

Well when I see my parents fight
I dont wanna grow up
They all go out and drinking all night
And I dont wanna grow up
Id rather stay here in my room
Nothin out there but sad and gloom
I dont wanna live in a big old tomb
On grand street

When I see the 5 oclock news
I dont wanna grow up
Comb their hair and shine their shoes
I dont wanna grow up
Stay around in my old hometown
I dont wanna put no money down
I dont wanna get me a big old loan
Work them fingers to the bone
I dont wanna float a broom
Fall in love and get married then boom
How the hell did I get here so soon
I dont wanna grow up


Só no tom nem sempre é o tom certo

14 Maio, 2008

Cantar é conseguir impostar a voz em um timbre agradável e que esteja no mesmo tom da música? Talvez sim. Assim, nasce um cantor.

Cantar é conseguir transmitir o que a música quer passar através de uma voz que esteja em harmonia com a canção? Assim nasce um cantor E intérprete.

Veja a diferença:


Nação Zumbi com fome de tudo… até do passado!

12 Maio, 2008

O som é revigorante. A iluminação é psicodélica. A performance é transcendental. O clima é… nostálgico? A Nação Zumbi tinha tudo para se manter como uma das bandas mais originais e revitalizantes do cenário brasileiro se não fosse pela insistência deles mesmos em continuar vivendo sob a sombra de Chico Science.

Desde a morte de Chico, em fevereiro de 1997, a banda já lançou quatro álbuns de estúdio, Radio S.amb.A (2000), Nação Zumbi (2002), Futura (2005) e Fome de tudo (2007). Na companhia do líder, gravaram apenas dois álbuns de estúdio, Da lama ao caos (1994) e Afrociberdelia (1996). Escrevo isso para mostrar que a quantidade de músicas compostas pela banda após o falecimento de Chico é o dobro do que a produção quando ele estava em vida. Mesmo assim, o show de abril de 2008, na turnê do disco “Fome de Tudo”, há um número consideravelmente superior de músicas da fase Chico Science.

Fui ao show da Nação Zumbi para ouvir as músicas da Nação Zumbi, obviamente que gostaria de ouvir a música da fase que os lançou ao mundo, mas gosto da sonoridade atual e queria ouvir as músicas novas, frescas e revigorantes que eles fizeram nos últimos 8 anos. Porém, o repertório do show é focado grande parte nas músicas dos álbuns de 94 e 96, causando um clima nostálgico e quase melancólico na platéia. Todos se divertem, todos pulam nas músicas antigas, mas há sempre aquele clima de “bem que eu queria que Chico estivesse aqui…”. Eu também queria! Mas vamos aceitar o fato dele ter morrido e vamos seguir em frente. A produção fonográfica da Nação pós-chico é tão competente e brilhante quanto as músicas compostas nos anos 90. A importância dele é indiscutível, mas a Nação tem que aprender a andar com suas próprias pernas e arriscar mais, montando um repertório que reúna as músicas do começo da carreira, mas que tenha como alicerce as canções compostas na fase “só” Nação Zumbi.

O mangue-bit, liderado por Chico Science e Fred 04 (do Mundo Livre S/A), é sem dúvida o último grande movimento artístico do país. Não quero esquecer, volto a frisar, da importância fundamental de seu porta-voz, mas não quero que suas crias vivam sempre como apenas “filhos do Chico”. São sim, mas não devem agir dessa forma.


Adendo: Top 5 – Vozes femininas atuais

30 Março, 2008

Desculpe, mas terei que postar dois extras para o meu “Top 5 – Vozes femininas atuais”. Eu juro que tentei manter minha palavra e respeitar o número da seleção, mas é difícil deixar essas duas bandas de fora.

Extra#1: Metric – Empty

Extra#2: Paramore – Misery business

Mal ae…