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Archive for novembro \14\UTC 2010

Alguns anos após a morte de Mao Tse-tung – que com sua Revolução Cultural cortou relações da China com o restante do mundo, proibindo até o ensino de música erudita européia – o lendário violinista Isaac Stern é convidado a visitar o país. O objetivo era, além de estreitar as relações entre a China e o ociente, que o músico ucraniano compartilhasse suas técnicas e abordagens musicais.

Esta é a espinha dorsal do documentário “De Mao a Mozart”, dirigido por Murray Lerner, que no currículo tem vários outros registros na área da música, passando de Bob Dylan a The Who.

O documentário aborda basicamente três temas: A exótica cultura chinesa, os ensinamentos na interpretação de Isaac Stern e os tratos com os professores de música contrários à Revolução Cultural instituída no país.

As passagens em que Stern faz algo que se parece um workshop, dando dicas de interpretação e técnicas no violino a músicos chineses é tão brilhante quanto didática. É uma boa lição para entender o que faz um músico ser um bom intérprete. Como a técnica pode tanto aprimorar como limitar uma perfomance.

Em contraste com a beleza dos ensinamentos de Stern, o doumentário relata os tratos aos professores dos conservatórios que se arriscaram a ensinar músicas de compositores eruditos europeus nos conservatório de música. Um professor afirma que pior do que toda a tortura que sofreu, a humilhação de ser tratado como criminosos foi mais traumatizante ainda.

Abaixo, o documentário “De Mao a Mozart” (na íntegra):

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Ouça – Ain’t got no troubles (Eden Brent)
A pianista e cantora Eden Brent pode ser colocada no mesmo patamar que Madeleine Peyroux, mas em estantes diferentes. Eden retoma o som do começo do século XX, mas sua maior influência (que funciona como espinha dorsal nas canções) são os boogie-woogies sob canções no estilo blues, jazz e referências ao gospel. Ain’t got no troubles (download) é o terceiro álbum da americana, lançado em 2010.

 

Leia – A Paixão Segundo G.H. (Clarice Lispector)
Um romance tão enigmático quanto o nome da protagonista. O livro, escrito com a técnica de fluxo de consciência, narra os devaneios de uma mulher da alta sociedade carioca no quarto da empregada. Ao se deparar com uma barata, G.H. passa a refletir sobre sua individualidade e a forma como vê o mundo (ou o quê usa para não vê-lo). Um livro difícil, mas essencial para propor uma ótima reflexão sobre o auto-conhecimento.

 

Veja – Note by note (documentário)
Um filme sobre a manufatura do piano D-274, da classuda Steinway & Sons. O documentário registra todos os processos de produção do lendário instrumento e intercala com entrevistas de pianistas diversos (Hélène Grimaud, Lang Lang e Harry Connick Jr. são apenas alguns) explicando os pré-requisitos e como nasce a relação entre o instrumentista e seu piano. O modelo D-274 foi o favorito de músicos como Glenn Gould e Vladimir Horowitz.

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dialogismo

Tenacious D – Tribute

Bill Callahan – Eid Ma Clack Shaw

Obs.: Para ouvir mais Bill Callahan, aconselho a apresentação no Tiny Desk Concert, da NPR.

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Trabalhei em uma livraria, na seção de Música Clássica. Nela, além de vários estilos eruditos (ópera, ballet, erudito, sacro), também ficavam as seções de Jazz e Instrumental Brasileiro. O lugar ficava separado por paredes de vidros, que isolavam o som ambiente do restante da loja.

O público que se interessava em adentrar esta sala fria (não é metáfora, o ar-condicionado era mais forte do que no restante da livraria) tinha um perfil que mais se assemelhava a livreiros que frequentam bons sebos do que a maioria dos clientes de livrarias instaladas em shoppings.

Boa parte destes visitantes consistia em verdadeiros garimpeiros: chegavam calados, cumprimentavam e iam logo bater as prateleiras de CDs e DVDs em busca de algo que fazia sentido para eles. Alguns pais, como de costume, eram obrigados a levar suas crianças em todo lugar que iam, incluindo sua pescaria cultural.

Certa vez, um pai entrou com sua pequena filha – provavelmente com uns 8 anos, toda serelepe (a.k.a.: hiperativa). Como já presenciei outras cenas parecidas, já tinham uma lista de sugestões para evitar que a criança chamasse o pai e deixa-lo em paz na sua peregrinação nas estantes.

Vesti suas orelhas com o fone-de-ouvido, mas a primeira sugestão não a agradou muito: Barbatuques. Foi minha proposta inicial porque quase todas as crianças caem na risada quando ouviam aqueles sons saindo daqueles corpos.

A segunda sugestão começava com um apelo visual, com um robô amarelo a frente de um teclado e um fundo azul-roxeado com seus auxiliares da nave espacial. Coloquei na segunda faixa, que iniciava com flautas fazendo um som percussivo e engraçado, seguido por uns gritos tribais e (quase) aleatórios.

Vi em silêncio seus olhos olharem para o infinito, como se ficassem em stand-by enquanto todo seu cérebro se concentrava na audição. Sua boca aberta não era de felicidade e nem de espanto, era a descoberta e diversão do primeiro contato com um mundo de novas cores.

Após algum tempo repetindo a faixa, ela tirou os fones e exigiu (em forma de insistência) que seu pai comprasse o CD. Depois de alguns argumentos sólidos (“pai, compra!”; “compra, pai!”) ela venceu e seu pai inclui o álbum na cesta com suas de guloseimas sonoras.

Meses se passaram e lá eu estava na livraria (como eu fazia seis vezes por semana). Dessa vez, contudo, não estava nos Clássicos, mas “passeava” por outras seções. De repente, ouço uma garota loura gritar para sua avó: “Vó, é ele! É ele, vó!”. Dirijo-me até as duas e cumprimento-as. Eis que ouço o relato da avó: “Minha neta não para de ouvir o CD do robozinho. Daqui a pouco o disco fura de tanto que ela ouve aquilo”.

Meus dois anos lá tinham valido a pena.

Obs.: Eis um site para fazer download do CD “Head Hunters”, de Herbie Hancock.

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