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Archive for junho \21\UTC 2009

Ficções – Borges

Ele não está te enganando. Desde o começo já diz qual é o fundamento do livro todo. Boa parte dos livros, páginas, volumes, enciclopédia, escritores, militares, labirintos não existem.

Mas bem que poderiam. Essa é a conclusão que você tira quando acaba de ler cada conto de Ficções, do argentino Jorge Luis Borges.

Ele cria situações e conta de uma forma que te prende e te faz parar para pensar até o final do dia. Poucos foram os dias que eu quis ler mais de dois contos de uma só vez. O melhor é ler um, que em média não passam de 15 páginas, e saboreá-lo aos poucos, dando risadas e se pegando olhando para o nada, enquanto lembra, relembra e se questiona como tudo aquilo foi pensado.

Para quem não gosta de estórias curtas, preferindo romances longos, densos, reflexivos e dinâmicos, saibam que não perderão nada. Não subestime um conto, não o de Borges. Ele mesmo explica a escolha no prólogo do livro:

“Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma idéia cuja exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que estes livros já existem e apresentar um resumo, um comentário.”

Mesmo desse jeito, contando a história de forma “direta”, Borges consegue uma harmonia entre a exatidão, rapidez e sutileza. Considere um romance compactado. Ou uma poesia em prosa.Veja o primeiro parágrafo do conto “Exame da obra de Herbert Quain”:

“Herbert Quain morreu em Roscommon; comprovei sem espanto que o “Suplemento Literário” do Times apenas lhe concedeu meia coluna de piedade necrológica, na qual não há epíteto laudatório que não esteja corrigido (ou seriamente admoestado) por um advérbio.”

Outros contos situam-se entre meus favoritos: “Funes, o memorioso”, “Jardim de caminhos que se bifurcam” e “As ruínas circulares” estão entre eles. Mas todo o livro vale a pena.

Borges é necessário, é só o que posso dizer.

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