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Archive for julho \24\UTC 2007

Usando uma palavra supimpa e utilizando um conceito complexo, poderia dizer que esta música da Video Hits é “metalingüística”. Há uma série de citações de músicas da Jovem Guarda, mas a letra vai além. Faz-se uma espécie de manifesto, explicando e trazendo argumentos que fundamentam a “razão de ser” da banda e de sua sonoridade. Portanto, um post especial sobre uma pequena interpretação dessa música.

Antes, vamos à letra completa:

Video Hits – 5ª embalada 

Roda, roda, roda e avisa o minuto pros comerciais
Sei que em cada roda nessa pista está treinada pra queimar sinais
Aquele sonho antigo de passar pelo inimigo com rodas a mais
Traz para a lembrança outro sonho de criança que ficou pra trás

Você abusou do iê-iê-iê
Ta na hora de mostrar que nada mais vai me fazer parar
Nada mais vai me fazer parar

Esse carro antigo, agora envenenado, não vai perdoar
Aquelas estradas, muitas curvas judiadas, teve que passar
Tantos os tormentos enferrujaram os rolamentos de meu coração
Mas com o pé na estrada, põe uma quinta embalada por essa canção

Você abusou do iê-iê-iê
Ta na hora de mostrar que nada mais vai me fazer parar
Nada mais vai me fazer parar

Se deixei alguém a esperar
Não, não, não
Nada mais vai me fazer parar

(No post anterior, tem o link do álbum, “Registro Sonoro Oficial”, onde se encontra a música em questão).

Além de fazer uma homenagem aos anos sessenta, com diversos elementos que ilustram aspectos culturais dessa época, Diego Medina e Michel Vontobel, autores da música, “justificam” a sonoridade e abordagem retrô escolhida pelo grupo.

No refrão, uma pista da intenção da VH: “Você abusou do iê-iê-iê/Ta na hora de mostrar que nada mais vai me fazer parar…”. Apesar da crítica não ter tratado muito bem a Jovem Guarda nos anos sessenta, atribuindo a ela uma superficialidade e futilidade cultural, a música afirma que agora ninguém vai faze-los parar, pois continuarão utilizando da sonoridade sessentista brasileira em suas músicas, seja fazendo uma revisitação dos “clichês” (como os vocais de fundo e as linhas de órgão, por exemplo), ou uma releitura de músicas (é o caso de “Silvia 20 horas domingo”, sucesso de Ronnie Von, de 1968). Porém, essa intenção de explicar a expressão artística da VH está mais evidente numa outra estrofe.

Esse carro antigo, agora envenenado, não vai perdoar
Aquelas estradas, muitas curvas judiadas, teve que passar
Tantos os tormentos enferrujaram os rolamentos de meu coração
Mas com o pé na estrada, põe uma quinta embalada por essa canção

Temo aqui uma alusão a duas músicas básica da Jovem Guarda: “O Calhambeque” e “As curvas da estrada de Santos”. Porém, a letra mostra que agora o carro dos anos 60 não é mais o mesmo, está “envenenado”, assim como a Video Hits e seu sessentismo. A estrada que judiou do automóvel e que é um dos ícones dessa geração, serve como algo a ser lembrado e estudado. Agora o carro irá mais rápido, seguindo numa quinta marcha embalada e correndo solto nessa revisitação e curtição vintage.

Portanto, essa quase música-manifesto deu dicas da intenção da Video Hits. Infelizmente a banda não durou tanto tempo quanto deveria, mas ajudou a trazer de volta uma fase do rock brasileiro que, quer queira, quer não, teve muita importância.

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Flashrock

Lembro de uma época na faculdade quando dois amigos concorriam para saber quem conseguia antecipar as tendências culturais, sejam elas de comportamento, moda, música, entre outras.

Nos idos de 2003, se eu me lembro bem, Renan, um desses amigos, comentou em nossa turma sobre um novo movimento que acontecia de modo frenético: flash mobs. A nova tendência consistia num bando de gente que combinava estar numa certa hora e lugar para fazer um tipo de coreografia pré-estabelecida, mas nem sempre sincronizada.

Um desses flashmobs aconteceu no Brasil, em 2004, quando um grupo de pessoas atravessaram a Avenida Paulista, em São Paulo, no primeiro sinal verde após o meio-dia num dos semáforos. Porém, ao invés de atravessarem normalmente, todos tiraram um dos calçados e batiam-os no chão. Depois que atravessaram, cada um seguiu seu caminho.

Isso para dizer que a banda Ultramen e outras bandas do Sul querem inserir uma nova vertente nesse movimento, o flashrock. O movimento consiste em ir a um lugar público no meio da madrugada e uma banda se apresentar com artistas plásticos pintando nos locais em volta. Tudo para homenagear o rock.

Eis a explicação oficial:

 

E aqui está um exemplo:

Tem um blog desse “movimento”. No texto acima eles dizem que tem que ser feito antes da polícia barrar a apresentação. Nos vídeos do site, nenhum mostrou a intervenção dos policiais. Será que dá certo mesmo?

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Video Hits

Gosta de Jovem Guarda? Curte brega? Aprecia um rock´n´roll? Quer ouvir tudo junto? Ouça Video Hits! Não gosta de nada disso, mas quer ouvir algo criativo e bem-humorado? Faça o mesmo!

Essa banda gaúcha, falecida em 2002, é uma das minhas favorita! E essa não é a única banda sulista que eu curto. Bidê ou Balde, Wander Wildner e Cachorro Grande também fazem parte do meu gosto musical. Mas esse post é sobre a Video Hits, porra!

A VH lançou em 2001 seu primeiro e único disco, “Registro Sonoro Oficial”, por uma grande gravadora, a Abril Music, momentos antes da major declarar falência. Antes disso, apenas uma demo em 2000, intitulada “Doces, Refrescos e Tratamentos Dentários”, fora lançada. Depois, em 2002, eles lançaram uma demo-caseira sem muita relevância, chamada “Feito em Casa com Muito Orgulho”.

Com uma sonoridade que remete rock sessentista brasileiro, a banda prestou uma homenagem à artistas como Roberto Carlos (e consequentemente a Lafayette Coelho, organista do Rei e que agora toca junto com a banda Os Tremendões, que é formado por Nervoso, Érika Martins, Gabriel Thomaz, entre outros), Ronnie Von – que canta junto com a banda na música “Silvia 20 horas domingo”, gravada inicialmente pelo cantor em 1968. Além disso, participa do álbum de 2001 o cantor ícone do funk/soul brasileiro, Gerson King Combo, na música “Furacão”.

E não é só a sonoridade que é de qualidade e divertida. As letras precisam de um comentário a parte. Com um humor muito criativo (talento também de outros artistas do Sul, como Wander e Bidê ou Balde), as letras abordam temas “ridículos” e banais, mas de uma forma tão criativa que fica impossível não gostar delas.

Veja essa por exemplo, “Louco Por Você”:

As duas garotas no coro, além de bonitas e charmosas, são muito divertidas, com suas teatralidades que cabem em pouquíssimas bandas.

E veja a malemolência, criatividade e “pouca sem-vergonhisse” nessa apresentação de “Menino Feio”, uma variação do mesmo tema do clássico literário “Patinho Feio”:

Para finalizar, os dois clipes produzido pela banda enquanto ainda fazia parte do elenco de artistas da Abril. O segundo, “Sobras”, acho que é clipe póstumo. Ou visionário.

vo(C):

Sobras:

O vocalista, Diego Medina, trabalha com ilustração, além de manter alguns projetos musicais bem malucos. Ele tem um myspace e um site. Vale a pena vasculhar pelos seus trabalhos!

 

Video Hits – Registro Sonoro Oficial (2001)

 

Video Hits - Registro Sonoro Oficial

 Download

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Aprendi a fazer o upload de arquivos! Assim, atualizei meu post “Top 5 – Trilha Sonora” e coloquei os links dos arquivos para download.

E viva o mundo tecnológico e suas facilidades!

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Omaha Bitch

Vendo as dicas do Jacaré Banguela, na coluna “Vadiagem Malemolente”, deparei-me com essa pérola no quesito criatividade e malandragem em aproveitamento! hahaha… Saca só a idéia dessa banda teve para tirar umas casquinhas da mulherada… e QUE MULHERADA!!

Esse Omaha Bitch me pareceu uma versão de System Of a Down, que une um metal pesado bacana, gutural, criativo e bem divertido (vide as palminhas!). Um pouco menos “nu-metal” que o SOAD. Achei bem massa!

 

Desculpe-me pela demora. Vários fatores me fizeram ausentar durante esses dias (ou semanas). Um deles foi nobre… nobríssimo!

Bob Dylan - Chronicles Volume 1

To lendo o primeiro volume da autobiografia do Bob Dylan. Estou meio enrolado porque é o importado, em inglês, mas ta sendo bom pra eu treinar meu inglês fajuto!!

Voltarei em breve… espero.

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