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Archive for fevereiro \27\UTC 2011

Em busca da essência perdida

Recentemente tive contato com dois artistas que me fizeram refletir sobre a essência da música. Com a evolução tecnológica, principalmente aquelas ligadas à comunicação, houve um despejo maciço de novas informações. Diariamente somos poluídos com inúmeros CDs, clipes e tantos outros lançamentos.

Lembro (mais ou menos) de uma história que ouvi de um dono de um grande estúdio. Pelo que eu me recordo, era mais ou menos assim: no final dos anos 70 houve uma tendência a se evitar usar válvulas em mesas de gravação. O uso de válvulas era uma tecnologia antiga, e a válvula tem uma série de chatices – é delicada, tem que esperar esquentar para se ter um bom resultado, além da iminência de queimar e ter que colocar outra. Assim, os engenheiros passaram a utilizar transistores no lugar das válvulas, transformando a mesa de som em algo muito mais prático.

Porém, quando se ouviu o resultado das gravações, percebeu-se que faltava algo. E era justamente o som “quente e aveludado” que a gravação a válvula proporcionava. Ou seja, o som perdeu sua essência.

Há um resgate de uma essência sonora análoga nos últimos anos: de bandas como Hives e Strokes até as cantoras atuais Sharon Jones e Amy Winehouse (quando essa se concetra em fazer coisa boa).

Vejo também parte desta idéia em dois artistas distintos e menos conhecidos: JD McPherson e Meschiya Lake. Ambos remetem a um rótulo vintage, mas cada um, a sua maneira, redescobriu a essência através de uma olhar retrógrado – no melhor sentido da palavra.

Signos e significados

JD McPherson é um músico que recentemente lançou o álbum Sign & Signfiers. O disco é voltado para o rockabilly e o rock dos anos 50. Além das músicas muito boas e com a alma vintage, o que chama a atenção também é a textura da gravação.

O álbum foi lançado pela HiStyle Records. Além de ser o selo, a HiStyle também é um estúdio de gravação que tem como característica ser 100% analógico e utilizar equipamentos antigos. Para Jimmy Sutton, dono da gravadora/estúdio, HiStyle é como um estúdio de boutique, que não tenta competir com grandes estúdios, mas apenas proporcionar uma sonoridade amigável aos músicos.

Diabo sortudo

A música de Meschiya Lake remete a um tempo ainda mais antigo, o jazz tradicional dos anos 30. A cantora se destaca não apenas pelo estilo músical e pela bela voz, mas por ser purista até na forma de se apresentar.


Esse foi o primeiro vídeo que vi dela

Junto com seu grupo jazzístico, The Little Big Horns, ela se apresenta nas ruas e praças dos Estados Unidos. No YouTube, é possível encontrá-la cantando em New Orleans e na Washington Square Garden, praça nova-iorquina que nos anos 60 servia como ponto de encontro entre os músicos de folk para troca de canções.

O que mais me chamou a atenção quando eu a ouvi pela primeira vez foi o poder da sua voz. Cantando na rua, sem qualquer equipamento que amplificasse sua voz, ela consegue ter uma abrangência enorme, além de manter as dinâmicas das canções.

A cantora lançou um álbum recentemente, entitulado Lucky Devil. A música que dá título ao álbum já mostra como o grupo é de alta qualidade.

Os dois álbuns estão disponíveis para download no site New Album Releases:

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Ouça – The Deep Dark Woods
Conheci a banda canadense através de uma interpretação da música Pretty Peggy-O. Ao pesquisar mais sobre o grupo, encontrei dois álbuns: Hang me oh hang me (2007) e Winter hours (2009). Cada um tem um estilo e atmosfera única, mas os dois são ótimos pelos arranjos instrumentais, principalmente nos diálogos entre guitarra e teclado, além do timbre grave e aveludado da voz de Ryan Boldt.

 

Leia – A Cauda Longa (Chris Anderson)
Um livro sobre a metamorfose do mercado a partir do nascimento da Internet e o papel relevante do consumidor como “influenciador”. Chris Anderson, editor da revista Wired, exemplica a mudança de foco do lucro, que antes era direcionado apenas em produtos de grande sucesso e agora torna também relevante os chamados “mercados de nicho”. Como objeto de estudo de sua análise, empresas online como a Amazon.

 

Veja – Só dez por cento é mentira (Pedro Cezar)
Considerado um longa-metragem documentário, talvez seria mais justo se Só dez por cento é mentira fosse rotulado como um “longa-ensaio-poético”. Dirigido por Pedro Cezar, o filme utiliza como pano de fundo a poesia e a vida do cuiabano Manoel de Barros. A partir de uma descrição lúdica, com influência da infância, Manoel conseguiu traduzir em palavras situações tão corriqueiras quanto mágicas. Entre suas frases: “imagens são palavras que nos faltaram” e “para encontrar azul eu uso pássaros”. E o belo filme não fica atrás. Assista o trailer.

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