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Sim, é possível ouvir um som acústico com atitude. Mais que isso: é possível sentir vontade de bater-cabeça ao ouvir violão, baixolão e afins. E não é necessário muitos instrumentistas, vários vocais e um clima cigano, como o Gogol Bordello. Basta conhecer The Builders and the Butchers.

Com uma formação diferente, principalmente por conta da bateria “dividida” em dois integrantes, O Builders and the Butchers fazem um som com dinâmica e com muita vontade. O último álbum, Dead Reckoning, foi lançado este ano e deve ser ouvido por quem gosta de folk, folk rock, rock ou até mesmo quem gosta da atitude percussiva de Cordel do Fogo Encantado. E estou falando sério.

O NewAlbumReleases disponibilizou o Dead Reckoning para download.

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Neil Young sempre mesclou épocas acústicas e intimistas com fases elétricas e sujas. Nos dois extremos, demonstrava não só qualidade como, principalmente, autenticidade. Se pegarmos esses perfis e adicionarmos uma abordagem feminina que remete à Cat Power e Nico, teremos Sarabeth Tucek. Mais didático, impossível!

Okay, ela não tem a técnica instrumental do canadense; e também falta um pouco de dor para chegar na profundidade de Chan Marshall (e mais dor ainda para Chelsea Girl). Contudo, ainda assim há qualidade em Sarabeth e ouví-la é prazerosamente reconfortante.

Tudo começa pela melancólica e “nick-drakeana” The Wound and the Bow. Como abertura, a canção parece te situar no poço de sofrimento que Sarabeth se encontrava quando compôs as outras músicas. Soando quase conceitual, o álbum é uma representação – ou o registro – de boa parte dos sentimentos sofridos em uma desilusão. Não à toa, a última faixa do disco é a que dá o nome otimista ao álbum: Get Well Soon [“Fique bem logo”].

Wooden, a música seguinte, já traz uma mistura das duas fases de Neil Young: começa apenas com voz e violão e cresce para uma rasgante jam que poderia muito bem ser gravada pelos Crazy Horses.

A View parece ser uma introdução intimista para a canção que se segue, The Fireman. Uma bela música folk que nos lembra de Elliott Smith e suas canções acompanhadas de banda. Há também as baladas pianísticas, como Things left behind e At the bar.

Sarabeth abre para Bob Dylan em 2007

Mesmo com referências “vintages”, Sarabeth Tucek soa não apenas atual, como autoral. Este não é o primeiro disco da americana e, muito por causa disso, já mostra uma cantora madura (chegou a participar do disco Supper, quando Bill Callahan ainda era Smoog). Sarabeth consegue transferir com autenticidade, mas de forma minimalista, os sentimentos em suas interpretações.

Infelizmente, o disco não foi lançado no Brasil. O NewAlbumReleases disponibilizou Get Well Soon para download.

O polonês naturalizado americano Arthur Rubinstein é considerado um dos pianistas virtuosos mais importantes do século XX. Suas interpretações de Chopin são aclamadas como as melhores do século.

Mas este post não se trata da sonoridade de Rubinstein, mas de algo mais visível: suas capas de discos. Inúmeras vezes ví algumas capas dos álbuns de Rubinstein e tive que parar para contemplá-las por alguns instantes. A maioria são apenas fotos com filtros que as deixam com uma textura diferente, mas as imagens registradas são de uma riqueza artística tão sofisticada quanto o conteúdo músical do disco.

Veja algumas:

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A voz da consciência

A primeira vez que conheci Bill Callahan foi através da coletânea New Harvest, que saiu na revista MOJO de agosto de 2009. A música era Eid Ma Clack Shaw, com uma letra estranha de um sonho com essa frase ininteligível. A canção era bacana, mas o nome esquisito e a “trama” da canção me chamou mais a atenção do que a voz que a cantava.

Lembro também que notei a voz de Bill Callahan: nas minhas garimpadas aleatórias, me deparei com sua participação no Tiny Desk Concert, da NPR. A primeira canção foi Jim Cain, uma música calma que se inicia apenas com uma guitarra limpa e descrescente. Depois de uma percussão sutil e cordas que mais criam ambiente do que harmonia, entra a voz de Bill Callahan.

Ao ouvir, a única coisa que eu precisava saber era o quê ele falava. Não era apenas uma voz com timbre grave e límpido: soava como uma voz da consciência, dizendo coisas que você sabia que precisava prestar a atenção. (Não estou dizendo que a voz era de sabedoria. Esse cargo já está nas mãos de Leonard Cohen – e Johnny Cash fica com o cargo de voz da verdade. Tom Waits ocupa a função de voz da dor).

Tanto Eid Ma Clack Shaw e Jim Cain são do segundo CD como Bill Callahan – antes ele se intitulava Smog -, chamado Sometimes I wish we were an eagle, de 2009. O álbum traz exatamente essa atmosfera, com canções tranquilas, soltas e estruturadas baseadas na voz de Bill.

As letras estão à altura da voz de Callahan, como bem descreveu Stephen Thompson, da NPR, ao menos uma frase de cada música apresentada no Tiny Desk Concert te prende a atenção:

Jim Cain: “I used to be darker / Then I got lighter / Then I got dark again.”
Rococo Zephyr: “I used to be sorta blind / But now I can sorta see.”
Too Many Birds: “If you could only stop your heartbeat for one heartbeat…”

Em 2010, ele lançou o disco ao vivo Rough travel for a rare thing. O registro resgata tanto o clima leve e “reflexivo” quanto canções que funcionam mais no palco. Vale a ouvida!

A última novidade de Callahan foi no começo do mês, com o lançamento do terceiro álbum de estúdio, Apocalypse. Ao ouvir, me veio à cabeça algumas músicas da fase solo – mas não esquizofrênica – de Lou Reed.

Em Apocalypse, as músicas instrospectivas dividem espaço com canções mais pontiagudas, mostrando uma relativa agressividade de Callahan. É o caso da primitiva Drover e da irônica America.

Este último disco é bom, mas não supera o Sometimes I wish we were an eagle. O New Album Releases disponibilizou os três álbuns citados para download.

Chora, guitarra!

Mesmo para quem não tem nenhuma habilidade com guitarra, é impossível deixar de notar o som tão exótico do pedal Wah-wah. Seu nome é uma onomatopéia do próprio efeito.

Contemporâneo ao nascimento do pedal, criado na segunda metade da década de 60, Jimi Hendrix ajudou a consolidá-lo. Sua contribuição mais famosa foi a música Voodoo Child:

Eric Clapton, no seu período com a banda Cream, também difundiu a novidade:

A grande inovação dessa ferramente foi dar a opção de alterar a equalização da guitarra na dinâmica que o instrumentista quiser. É possível fazer solos chorosos (Um dos fabricantes batizou o pedal de Cry Baby) ou mesmo sons frenéticos e percussivos.

Entre os guitarristas já brincaram com o pedal, estão Frank Zappa, Jeff Beck, Jimmy Page, Kirk Hammett, Slash, Eddie Van Halen e o brasileiro Lúcio Maia, da Nação Zumbi.

Abaixo, um ótimo documentário sobre o Wah-Wah, intitulado Cry Baby: The pedal that rocks the world:

Em busca da essência perdida

Recentemente tive contato com dois artistas que me fizeram refletir sobre a essência da música. Com a evolução tecnológica, principalmente aquelas ligadas à comunicação, houve um despejo maciço de novas informações. Diariamente somos poluídos com inúmeros CDs, clipes e tantos outros lançamentos.

Lembro (mais ou menos) de uma história que ouvi de um dono de um grande estúdio. Pelo que eu me recordo, era mais ou menos assim: no final dos anos 70 houve uma tendência a se evitar usar válvulas em mesas de gravação. O uso de válvulas era uma tecnologia antiga, e a válvula tem uma série de chatices – é delicada, tem que esperar esquentar para se ter um bom resultado, além da iminência de queimar e ter que colocar outra. Assim, os engenheiros passaram a utilizar transistores no lugar das válvulas, transformando a mesa de som em algo muito mais prático.

Porém, quando se ouviu o resultado das gravações, percebeu-se que faltava algo. E era justamente o som “quente e aveludado” que a gravação a válvula proporcionava. Ou seja, o som perdeu sua essência.

Há um resgate de uma essência sonora análoga nos últimos anos: de bandas como Hives e Strokes até as cantoras atuais Sharon Jones e Amy Winehouse (quando essa se concetra em fazer coisa boa).

Vejo também parte desta idéia em dois artistas distintos e menos conhecidos: JD McPherson e Meschiya Lake. Ambos remetem a um rótulo vintage, mas cada um, a sua maneira, redescobriu a essência através de uma olhar retrógrado – no melhor sentido da palavra.

Signos e significados

JD McPherson é um músico que recentemente lançou o álbum Sign & Signfiers. O disco é voltado para o rockabilly e o rock dos anos 50. Além das músicas muito boas e com a alma vintage, o que chama a atenção também é a textura da gravação.

O álbum foi lançado pela HiStyle Records. Além de ser o selo, a HiStyle também é um estúdio de gravação que tem como característica ser 100% analógico e utilizar equipamentos antigos. Para Jimmy Sutton, dono da gravadora/estúdio, HiStyle é como um estúdio de boutique, que não tenta competir com grandes estúdios, mas apenas proporcionar uma sonoridade amigável aos músicos.

Diabo sortudo

A música de Meschiya Lake remete a um tempo ainda mais antigo, o jazz tradicional dos anos 30. A cantora se destaca não apenas pelo estilo músical e pela bela voz, mas por ser purista até na forma de se apresentar.


Esse foi o primeiro vídeo que vi dela

Junto com seu grupo jazzístico, The Little Big Horns, ela se apresenta nas ruas e praças dos Estados Unidos. No YouTube, é possível encontrá-la cantando em New Orleans e na Washington Square Garden, praça nova-iorquina que nos anos 60 servia como ponto de encontro entre os músicos de folk para troca de canções.

O que mais me chamou a atenção quando eu a ouvi pela primeira vez foi o poder da sua voz. Cantando na rua, sem qualquer equipamento que amplificasse sua voz, ela consegue ter uma abrangência enorme, além de manter as dinâmicas das canções.

A cantora lançou um álbum recentemente, entitulado Lucky Devil. A música que dá título ao álbum já mostra como o grupo é de alta qualidade.

Os dois álbuns estão disponíveis para download no site New Album Releases:

Ouça – The Deep Dark Woods
Conheci a banda canadense através de uma interpretação da música Pretty Peggy-O. Ao pesquisar mais sobre o grupo, encontrei dois álbuns: Hang me oh hang me (2007) e Winter hours (2009). Cada um tem um estilo e atmosfera única, mas os dois são ótimos pelos arranjos instrumentais, principalmente nos diálogos entre guitarra e teclado, além do timbre grave e aveludado da voz de Ryan Boldt.

 

Leia – A Cauda Longa (Chris Anderson)
Um livro sobre a metamorfose do mercado a partir do nascimento da Internet e o papel relevante do consumidor como “influenciador”. Chris Anderson, editor da revista Wired, exemplica a mudança de foco do lucro, que antes era direcionado apenas em produtos de grande sucesso e agora torna também relevante os chamados “mercados de nicho”. Como objeto de estudo de sua análise, empresas online como a Amazon.

 

Veja – Só dez por cento é mentira (Pedro Cezar)
Considerado um longa-metragem documentário, talvez seria mais justo se Só dez por cento é mentira fosse rotulado como um “longa-ensaio-poético”. Dirigido por Pedro Cezar, o filme utiliza como pano de fundo a poesia e a vida do cuiabano Manoel de Barros. A partir de uma descrição lúdica, com influência da infância, Manoel conseguiu traduzir em palavras situações tão corriqueiras quanto mágicas. Entre suas frases: “imagens são palavras que nos faltaram” e “para encontrar azul eu uso pássaros”. E o belo filme não fica atrás. Assista o trailer.

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