Ficções – Borges

Ele não está te enganando. Desde o começo já diz qual é o fundamento do livro todo. Boa parte dos livros, páginas, volumes, enciclopédia, escritores, militares, labirintos não existem.

Mas bem que poderiam. Essa é a conclusão que você tira quando acaba de ler cada conto de Ficções, do argentino Jorge Luis Borges.

Ele cria situações e conta de uma forma que te prende e te faz parar para pensar até o final do dia. Poucos foram os dias que eu quis ler mais de dois contos de uma só vez. O melhor é ler um, que em média não passam de 15 páginas, e saboreá-lo aos poucos, dando risadas e se pegando olhando para o nada, enquanto lembra, relembra e se questiona como tudo aquilo foi pensado.

Para quem não gosta de estórias curtas, preferindo romances longos, densos, reflexivos e dinâmicos, saibam que não perderão nada. Não subestime um conto, não o de Borges. Ele mesmo explica a escolha no prólogo do livro:

“Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma idéia cuja exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que estes livros já existem e apresentar um resumo, um comentário.”

Mesmo desse jeito, contando a história de forma “direta”, Borges consegue uma harmonia entre a exatidão, rapidez e sutileza. Considere um romance compactado. Ou uma poesia em prosa.Veja o primeiro parágrafo do conto “Exame da obra de Herbert Quain”:

“Herbert Quain morreu em Roscommon; comprovei sem espanto que o “Suplemento Literário” do Times apenas lhe concedeu meia coluna de piedade necrológica, na qual não há epíteto laudatório que não esteja corrigido (ou seriamente admoestado) por um advérbio.”

Outros contos situam-se entre meus favoritos: “Funes, o memorioso”, “Jardim de caminhos que se bifurcam” e “As ruínas circulares” estão entre eles. Mas todo o livro vale a pena.

Borges é necessário, é só o que posso dizer.

3 Respostas para “Ficções – Borges”

  1. Disse:

    Pedrão, leia também Leopoldo Lugones e Adolfo Bioy Casares, os dois também argentinos e muito influenciados pelo estilo de Borges.

    Ah, do Borges o meu favorito é “O Livro de Areia”, do livro de mesmo nome. O mais curioso é que esse conto foi escrito muitos anos antes da Internet e da nossa mania de informação instantânea de hoje.

    • pedroluts Disse:

      Grande Zé!
      Muito obrigado pelas novas referências. Irei atrás delas… Veremos!

      Alguns creditam ao Borges uma vertente Nostradamus em seus texto, dizendo que ele antecipou a Internet. Crenças de lado, Borges descreveu de forma brilhante, mesmo não sabendo, o que viria a ser a Internet! hehe

      Abração!

  2. Karin Disse:

    Ones, meu querido!

    Adorei a dica, viu! Vou ler o quanto antes!

    Beijos

Deixe uma resposta